A governança corporativa brasileira está passando por uma transformação profunda. Empresas de todos os setores estão revisando a forma como tomam decisões estratégicas, recrutam conselheiros e estruturam seus colegiados.
E os números comprovam essa mudança. Controladores das empresas no Brasil, que costumavam deter uma grande fatia das ações, passaram a abrir capital e ceder até 50% de sua parte para novos investidores.
Se você deseja entender como essa evolução impacta o ambiente empresarial, e por que 2026 exigirá ainda mais maturidade estratégica, continue a leitura.
Este artigo reúne dados, análises e tendências essenciais para quem lidera negócios no Brasil. Vamos lá!
A transformação dos conselhos: um retrato dos últimos 10 anos
Nos últimos dez anos, os Conselhos de Administração deixaram de ser espaços predominantemente formais e consultivos para se tornarem estruturas mais técnicas, estratégicas e independentes.
Essa mudança é comprovada pelo estudo anual “Práticas de Governança e Remuneração de Conselhos”, da Korn Ferry, uma das principais pesquisas sobre governança no País.
Crescimento da independência nas decisões
Segundo o levantamento de 2024:
- 60% dos conselheiros no Brasil são independentes,
- percentual que quase dobrou desde 2014, quando eram 35%.
A presença de profissionais sem vínculos familiares ou financeiros com a empresa mostra que os conselhos estão assumindo um papel mais crítico, imparcial e voltado para decisões de longo prazo.
Essa tendência se conecta ao avanço da governança exigido pelo mercado e reforça a necessidade de especialistas capazes de navegar em agendas cada vez mais complexas, como transformação digital, ESG e riscos geopolíticos.
Diversidade em ascensão: um componente estratégico da governança
Com a evolução da governança, a composição dos conselhos também passou a refletir outra agenda importante: a diversidade.
A presença de mulheres nos conselhos brasileiros passou de 7% em 2014 para 20% em 2024. Mas é preciso dizer que ainda está abaixo de mercados mais maduros (EUA com 25% e Europa com 39%).
De qualquer forma, a expansão contínua indica que as empresas estão compreendendo o impacto da diversidade na tomada de decisão, seja na ampliação de perspectivas, seja na capacidade de inovar.
O melhor: começamos a nos alinhar aos padrões internacionais.
Remuneração cresce e atrai profissionais mais preparados
Com agendas mais amplas e exigentes, os conselhos passaram a demandar conselheiros altamente especializados, comprometidos e capazes de dedicar tempo às discussões estratégicas.
Como consequência, a remuneração também evoluiu:
- 25% das empresas com receita até R$ 5 bilhões pagaram mais de R$ 639 mil/ano a conselheiros independentes.
- Nas empresas acima de R$ 30 bilhões, 25% pagaram mais de R$ 1,1 milhão/ano.
Isso mostra um cenário de profissionalização cada vez mais robusto, em que a função de conselheiro deixou de ser apenas honorária para se tornar uma carreira relevante, estratégica e altamente valorizada.
Por que essa mudança importa agora: o que esperar de 2026
A evolução dos conselhos acontece em um momento de possível instabilidade para o ambiente empresarial brasileiro.
Como destaca o conselheiro empresarial Márcio Giacobelli, fundador do ABI, o País se prepara para enfrentar um dos anos mais desafiadores da última década.
Quatro fatores simultâneos elevam a complexidade estratégica:
- Eleições municipais,
- Copa do Mundo,
- Reforma Tributária entrando em vigor,
- Juros ainda elevados.
Em um cenário como esse, a maturidade das decisões será um diferencial competitivo determinante.
Giacobelli alerta que 2026 não será um ano para improvisos, e sim para lucidez e estratégia.
Em ambientes voláteis, decisões rasas custam caro, e empresas despreparadas podem ver margens comprimidas, capital de giro pressionado e erros amplificados.
Essa realidade conecta diretamente o papel crescente dos conselhos à sobrevivência e crescimento das organizações.
Mesas de Conselho: o movimento que avança no Brasil
A resposta a esse ambiente complexo vem ganhando força entre empresas familiares e organizações de médio porte: as Mesas de Conselho.
Esses encontros periódicos reúnem empresários e conselheiros experientes par:
- Analisar riscos;
- Priorizar decisões;
- Revisar estratégias;
- Organizar governança;
- Fortalecer a lucidez do empresário, um dos pontos mais enfatizados por Giacobelli.
É um movimento silencioso, mas crescente, que amplia a maturidade empresarial no País e prepara organizações para cenários de maior pressão estratégica.
Conselhos mais profissionais para empresas mais preparadas
Os dados mostram que os Conselhos de Administração no Brasil estão mais técnicos, diversos e bem estruturados do que nunca.
E essa evolução é decisiva para enfrentar um 2026 repleto de desafios simultâneos.
Governança não é tendência. É sobrevivência.
E, para empresas que desejam crescer com direção, e não com improviso, a profissionalização dos conselhos é um caminho cada vez mais inevitável.
Prepare-se para entrar para a Mesa do Conselho, atente-se às informações!













