Você já se perguntou como algumas empresas familiares conseguem atravessar décadas, manter a competitividade e ainda crescer de forma estruturada?
A trajetória do Grupo Votorantim é uma verdadeira aula de longevidade empresarial e, claro, um grande exemplo de como um conselho consultivo pode ser decisivo para uma sucessão segura, sustentável e estratégica.
Só no 3º trimestre deste ano, o grupo alcançou lucro de R$ 1,6 bilhão, com crescimento de 14% na receita. E os planos para o futuro?
“Seguimos firmes no propósito de gerar valor sustentável no longo prazo para a Votorantim, apoiados na disciplina de alocação de capital e na diversificação do nosso portfólio”, afirmou o presidente-executivo, João Schmidt, em entrevista à CNN.
Siga a leitura para entender que não existe mágica, pelo contrário, existe a adoção consistente de práticas de governança sólidas e um conselho estratégico, atuante e alinhado ao futuro. Vamos lá?
A trajetória de uma gigante brasileira
Fundada em 1918 por José Ermírio de Moraes, a Votorantim começou como uma fábrica de tecidos e rapidamente expandiu suas operações.
A entrada no setor de cimento, em 1936, marcou o primeiro salto estratégico que consolidou a marca no cenário nacional.
Hoje, o grupo está presente em mais de 16 países, com atuação em setores como cimento, energia, metais, agro, finanças e novos investimentos. São mais de R$ 60 bilhões em ativos e uma reputação sólida construída ao longo de 107 anos.
Mas o segredo da Votorantim não está apenas no seu porte, e sim na forma como ela se organizou para continuar crescendo, mesmo com a mudança de gerações.
Governança: o pilar que sustentou o crescimento
À medida que a empresa diversificou seus negócios, a família Ermírio de Moraes percebeu que era preciso profissionalizar a gestão.
Foi nesse momento que a governança corporativa ganhou protagonismo, especialmente por meio da Votorantim S.A. (VSA), holding responsável pelas decisões estratégicas de longo prazo.
Essa estrutura passou a integrar:
- Conselhos consultivos com membros independentes e familiares;
- Comitês especializados;
- Um time executivo altamente capacitado.
A integração desses elementos garantiu que a tradição familiar se mantivesse viva, enquanto novas práticas, mercados e tecnologias fossem incorporados com visão de futuro.
O papel do conselho na sucessão
A sucessão familiar é um dos maiores desafios para as empresas brasileiras. Segundo a Fundação Dom Cabral, apenas 10% das empresas familiares médias permanecem sob controle na terceira geração.
No caso da Votorantim, já são quatro — e com governança compartilhada entre executivos e herdeiros preparados.
Isso acontece porque o grupo estruturou a sucessão com base em três premissas:
- Mérito acima de sobrenome
Herdeiros não assumem funções automaticamente. Antes precisam estudar, trabalhar fora e acumular experiência real. - Pensamento de longo prazo
O conselho discute investimentos, riscos, inovação e direcionamentos estratégicos além do curto prazo. - Preservação da cultura com abertura para o novo
A experiência da família se encontra com uma visão global trazida por conselheiros externos.
Entenda, a governança clara e o papel dos conselhos ajudam a dar continuidade ao que foi construído, com espaço para inovação e adaptação constante.”
Resultados que comprovam a tese
O crescimento sustentado da Votorantim mostra que governança não é burocracia, é pura estratégia:
- 107 anos de atuação;
- Operações nos principais mercados globais;
- Empresas premiadas, como a Votorantim Cimentos, eleita uma das maiores do mundo no setor;
- Investimentos crescentes em sustentabilidade, energia renovável e inovação.
A governança se tornou não apenas uma garantia de continuidade, mas um motor para decisões mais rápidas, racionais e alinhadas ao futuro.
Conselhos funcionam para empresas de qualquer porte
É comum pequenos empresários pensarem: “Isso não serve para minha empresa.” Mas essa visão é um equívoco. Governança e conselho consultivo são escaláveis.
Funcionam para:
- PMEs em estruturação,
- empresas de médio porte,
- companhias com atuação nacional ou internacional.
Mais importante do que o tamanho é o papel do conselho como espaço estratégico de tomada de decisão.
Ao terminar de ler este artigo, esperamos que fique claro: a história da Votorantim prova que o conselho consultivo pode ser transformador na sucessão empresarial.
Ele traz clareza, preparo, meritocracia, inovação e alinhamento familiar — além de evitar conflitos que podem derrubar bons negócios.
Então, seja qual for o tamanho da sua empresa, uma coisa é certa: longevidade não acontece por acaso, ela se constrói.













