A governança corporativa vem ganhando cada vez mais espaço no ambiente empresarial brasileiro. Nos últimos anos, temas como transparência, sucessão e profissionalização da gestão deixaram de ser tendência para se tornar exigência.
A 12ª edição da Pesquisa Anual Korn Ferry sobre Governança e Remuneração de Conselhos revelou um dado importante: 62% das empresas brasileiras já realizam avaliações formais de seus conselhos, frente a 54% em 2022.
O número reforça que o mercado está amadurecendo no modo de gerir, decidir e crescer. Mas o levantamento também acende um alerta.
Apesar da evolução, muitas empresas ainda encaram o processo como uma formalidade regulatória, sem compromisso real com a melhoria contínua.
O desafio, portanto, está em transformar boas intenções em práticas sustentáveis de governança. Entenda, a seguir, como o conselho consultivo vem se tornando peça-chave dessa transformação. Boa leitura!
O que é governança corporativa?
A governança corporativa é o conjunto de princípios, políticas e estruturas que orientam como uma empresa é administrada.
Seu propósito vai além do controle: busca criar valor de forma sustentável, fortalecer a confiança entre acionistas, gestores e colaboradores, e garantir transparência nas decisões.
Em termos práticos, a governança é o que impede que o poder fique concentrado nas mãos de poucos, reduzindo riscos e estimulando o equilíbrio entre resultados econômicos e responsabilidade social.
Inclusive, o empresário que já esteve na Sala do Conselho, Mario Spaniol, fundador da Carmen Steffens, é prova viva da sentença acima. Ele diz que “95% das decisões que toma são em consenso. Unanimidade é burra, e poder pleno também não é legal.”
Retomando, as boas práticas de governança se apoiam em quatro pilares fundamentais:
- Transparência: compartilhar informações de forma clara e acessível;
- Equidade: tratar todos os stakeholders de forma justa;
- Prestação de contas: assumir responsabilidades pelas decisões tomadas;
- Responsabilidade corporativa: zelar pela sustentabilidade e perenidade da organização.
Esses princípios tornam-se ainda mais relevantes em empresas familiares, por exemplo, onde as fronteiras entre emoção e negócio podem se confundir.
O que é um conselho consultivo?
Por outro lado, o conselho consultivo é um órgão de apoio estratégico à gestão.
Diferente do conselho de administração, que tem poder deliberativo, ele atua de forma orientadora, ajudando líderes e sócios a tomar decisões mais assertivas e conscientes.
Sua composição costuma reunir profissionais experientes, com diferentes formações e vivências de mercado. São eles que trazem visão externa, questionamento construtivo e segurança estratégica para a empresa.
Entre os principais papéis do conselho consultivo estão:
- Apoiar o planejamento de longo prazo;
- Contribuir para a sucessão e continuidade do negócio;
- Reforçar a transparência e a prestação de contas;
- Antecipar riscos e oportunidades do ambiente externo;
- Fortalecer a cultura de governança corporativa.
Ou seja, o conselho consultivo funciona como um espelho que ajuda a organização a enxergar seus pontos cegos e amadurecer suas decisões, e o melhor: sem engessar a gestão.
Por que o conselho consultivo é vital para empresas familiares
Nas empresas familiares, o conselho consultivo desempenha um papel ainda mais sensível. Ele funciona como um espaço neutro, onde gerações podem dialogar, construir confiança e definir o futuro com clareza.
Sem uma estrutura como essa, o risco é alto: conflitos de interesse, sucessão mal planejada e decisões tomadas de forma emocional podem comprometer décadas de trabalho.
Segundo levantamento do Sebrae, apenas 30% das empresas familiares chegam à segunda geração. Esse número cai para menos de 10% na terceira.
O motivo? Falta de governança, conflito entre herdeiros e planejamento sucessório. O conselho consultivo ajuda a evitar esse destino ao:
- Promover o diálogo entre fundadores e herdeiros;
- Estabelecer critérios objetivos para decisões e sucessões;
- Acompanhar a performance com visão de longo prazo;
- Garantir que o legado familiar se traduza em crescimento sustentável.
Como resultado, famílias empresárias conseguem crescer com harmonia e preservar vínculos, algo que nenhuma métrica financeira substitui.
O futuro da governança corporativa no Brasil
Embora o cenário acima pareça assustador, ainda dá tempo de virar o jogo.
Há caminhos para estruturar uma governança mais moderna, humanizada e estratégica.
As empresas estão descobrindo que profissionalizar a gestão não significa perder identidade, e que um conselho bem estruturado pode ser o elo entre propósito e performance.
Os conselheiros, por sua vez, se tornam agentes de transformação, traduzindo a complexidade dos negócios em ações práticas e equilibradas.
Para o futuro, as tendências indicam:
- Maior digitalização e uso de dados nas decisões de conselho;
- Foco em ESG como pauta central de governança;
- Formação continuada e certificação de conselheiros;
- Integração entre conselhos e áreas executivas, reduzindo distâncias e ruídos.
Portanto, o que deve ficar claro para você é: a governança corporativa é, cada vez mais, o alicerce das empresas que desejam longevidade.
E o conselho consultivo é a ferramenta que torna esse alicerce vivo, transformando estratégia em prática, gestão em aprendizado e legado em futuro.
Mais do que uma estrutura de controle, trata-se de um instrumento de clareza, diálogo e evolução. Porque uma empresa bem governada não apenas cresce, ela perpetua-se ao longo dos anos.













