Quando falamos em conselhos empresariais, imediatamente pensamos em estratégia, visão de longo prazo e decisões que moldam o amanhã. Mas, curiosamente, muitas reuniões de conselho ainda estão presas ao que já aconteceu e mergulhadas em relatórios antigos, resultados passados e análises que já não podem ser alteradas. E aí fica a pergunta incômoda: você está num conselho para olhar para o futuro… mas está discutindo o passado?
É comum ver reuniões inteiras sendo consumidas por discussões sobre o que deu errado, quem errou, onde se perdeu oportunidade ou como foram os números do último trimestre. Claro que entender o histórico é importante. Mas quando o passado vira protagonista da conversa, o presente fica sem direção e o futuro sem planejamento.

O Equilíbrio do Tempo nas Reuniões de Conselho
Uma boa prática que tenho defendido é dividir o tempo das reuniões de forma estratégica:
- 20% para o passado: Análise rápida e objetiva dos resultados. O que já passou serve de insumo, não de âncora.
- 50% para o presente: Diagnóstico real do agora. Quais são os desafios atuais? Onde estamos vulneráveis? O que precisa ser ajustado já?
- 30% para o futuro: Projeções, inovação, antecipação de riscos, transformação. Aqui nasce a visão de longo prazo, a verdadeira missão do conselheiro.
Essa divisão não é rígida, mas serve como um guia poderoso para mudar a mentalidade de um conselho. Porque a verdade é que não se constrói o futuro olhando apenas pelo retrovisor.
Conselheiro Não É Analista de Performance
O conselheiro estratégico é aquele que provoca perguntas, antecipa movimentos e ajuda a empresa a pensar o que ainda não existe. Quando ele se limita a revisar o passado, perde sua potência.
Conselhos que vivem presos ao passado não inovam. E empresas que não inovam, estagnam. Um conselho eficaz precisa ter coragem para interromper o padrão de “revisar para julgar” e começar a “avaliar para transformar”.
E mais: concentrar 30% do tempo na visão de futuro é um ato de responsabilidade com o propósito da organização. É ali que estão as decisões difíceis, os saltos estratégicos, as mudanças estruturais.
Uma Nova Postura para os Conselheiros
Se você é conselheiro e percebe que a reunião está voltada demais ao passado, provoque o grupo. Questione:
- Qual parte disso nos ajuda a decidir o próximo passo?
- Estamos falando mais sobre o que passou ou sobre o que vamos fazer?
- O que estamos construindo com essa discussão?
Esse tipo de intervenção reposiciona o conselho no seu papel mais nobre: ser a voz do futuro dentro da empresa.
Conclusão
Conselhos não foram feitos para serem cronistas de resultados. Foram feitos para influenciar o rumo, provocar mudança e garantir sustentabilidade no longo prazo. E isso só acontece quando o foco está no agora com direção para o futuro — e não nas páginas já viradas da história.
Se você está num conselho, lembre-se: sua principal missão não é apenas entender o que passou, mas ajudar a empresa a chegar onde nunca esteve.